quinta-feira, 13 de maio de 2010
Não uma crítica, nem uma constatação...
Quê paradoxo?
Vejo os escritos Bukowski e não sei o que aconteceria se, em vida, ele tivesse se apaixonado, começado a crer no amor. Ou se Cioran tivesse pulado do pessimismo cínico para um otimismo dogmático... hahaha, Isso sim seria paradoxo. Ou também Juan Gutiérrez tornar-se militante e engajado no socialismo com fé que todas as merdas que passou foram por algum sentido. (?) Um Palahniuk "correto", vestido numa moral repúblicana e cristã! Enfim, posso citar mais algumas levas de personagens reais subversivos, "agraciados" de um jeito só deles: uma forma atrativamente repugnante para alguns, sincera para outros... Todos - uns mais, outros menos - gerando explosões de milhares de versões de críticas a cada livro publicado, a cada conto saido nos jornais diários, a cada poema lido.
Todos eles: dogmáticos com suas próprias (des)crenças nas coisas?
Mas vou-me fazer de advogado do diabo: o paradoxo deles está (também) ai. No (talvez) dogmatismo de suas idéias anti-tudo. Quase todos não ligam(ligavam) para nada... Por que diabos eu vou ligar, então?
O descompromisso é a alma do negócio e a moda do momento (quando falamos de tentar vender palavras)...
O logro da auto-mentira.
Quer queimar esta memória? Afigure-se como um ser só racional que separar os resultados das experiências e que vestia luvas grossas, roupas pesadas, venda, máscara de gás e com tampões de ouvido. Pense que as experiências passaram-se num outro corpo e que você está lendo um livro ao lembrá-las.
Eu sei, não é possível. Então simplesmente abstraia e confunda-se, misture todas as lembranças até sua memória falhar...
Um dia, a dor passará!
A Lembrança. O Beijo. A dúvida...
A lembrança daquele beijo apertado, de línguas tímidas, num terminal de metrô. Uma despedida embriagada e meio que alforriada dos ditames de uma paixão louca, metafísica e mentirosa. Sabe aquelas paixões egoístas que acham serem as maiores do mundo? Então, ele já havia perdido esperanças quaisquer nessa e qualquer idéia possível de um amor todo bem comportado e reparador – que tira o carnívoro de um frigorífico, coloca em meio a uma plantação de alface e pede para este que se satisfaça com aquelas folhas verdes... sem sabor. É cruel, crudelíssimo.
Poxa, aquele beijo representou tanta coisa como não representou nada. Simplesmente naquele dia, naqueles tempos, ele preferiu esquecer o beijo, pois estava querendo se comprometer em outro relacionamento (Claro! Mais maduro. Os dois “sabiam” o que queriam – a doce ilusão de uma paixão utópica). Na verdade o desespero é de não agüentar ficar só. O desespero está em não ter ninguém para dividir a cama e seus fluidos corporais em algumas noites, alguns dias ou só alguns minutos desesperados... Minutos-moleques voluptuosos que parecem se preencherem com hormônios explosivamente cheios de uma corrosão libidinosa. Um adolescente punheteiro que está com seu pau na mão em frente de peitos fartos de uma prostituta barata e feia, mas com um corpo razoável. Essa cena é intrigante: aqueles seios fartos que por eles já passaram bocas doentes e dentes podres que os mordiscaram, pintos semi-eretos que tentavam, ao serem pincelados naqueles seios com manchas, ficarem eretos o suficiente para penetrarem naquela vagina mal depilada ou naquele cu que bem de perto ainda fedia merda.
Uma cena contrastante que passava pela cabeça dele, mas ele percebeu: mesmo nunca ter tido tal oportunidade escatológica e cheia de sânie que é expelida dessas vontades humanas e egoístas, – dessas vontades travestidas de atos como válvulas-de-escape – ele ainda assim se sentia a mesma merda de tudo o resto... Talvez sim, talvez não. Em alguns momentos aquele que é comedido e conservador comete atos hediondos, enquanto o explosivo e errático, aquela ovelha-negra de todos os lugares moralmente montados: escolas, locais de trabalho, casa, clubes... Enfim, o bobalhão, o libertino, o cínico, este passa despercebido em sua frugalidade pelos desejos egoístas tão humanos, cometendo delitos breves e sinceros, delitos que passariam despercebidos em qualquer delegacia.
Mas aquele beijo? Não, não pertence a nenhuma dessas medíocres expressões, não pertence ao amor ilusório e frágil, nem a uma ambição a ser resolvida num futuro incerto, nem um beijo roubado e fixado numa vontade permissiva e totalmente embasada numa libertinagem sádica... Nem numa depressão, nem no niilismo.
Onde raios então aquele beijo está afixado? Não conseguia mais engolir esse papo de coração e amor. Achou finalmente que o beijo ficou cravado em algumas sinapses nervosas especiais. Tipo uma área VIP para certos acontecimentos
Mas o beijo aconteceu....
à dúvida...
Um quadro num vídeo
Uma falsa mensagem?
Pela soberba? Perdido,
Pela vontade? Coragem!
Simples na falta, Simples presença.
Sentidos quase perfeitos – alguma ausência? –
Não se enganam mais... talvez
Voam pelo ar, afundam na terra.
Numa liturgia hedonista,
Arraigado na perplexidade pelo mundo,
Eu corro buscando mãos...
|... para segurar.
Para em alguma segurança
|...eu me apegar.
Nos livros, idéias, ideais, fluxos...
... na selvageria racional...
... na dor existencial ...
... no jogo de uma alegoria retórica,
Vejo olhos cegos, bocas mudas, ouvidos surdos!
O que falta no mundo, falta em mim
Grito por mais força – Que voz rouca, eu estou.
Minha caneta falha de tanto eu ter escrito.
Insolentemente, via as mensagens com arrogância,
Fazia desenhos de pássaros, flores e surrealismo,
Quando podia ter desenhado certas outras palavras.
Entre livros, entre meios,
Entretido entre a vida e o fim,
– É sempre assim –, nosso fim?
A única certeza que temos...
O que fazer? Nossa maior dúvida...
... Irresoluta pela eternidade do tempo!
fragmento.
"Mulheres: gostava das cores de suas roupas; do jeito delas andarem; da crueldade de certas caras. Vez por outra, via um rosto de beleza quase pura, total e completamente feminina. Elas levavam vantagem sobre a gente: planejavam melhor as coisas, eram mais organizadas. Enquanto os homens viam futebol, tomavam cerveja ou jogavam boliche, elas, as mulheres, pensavam na gente, concentradas, estudiosas, decididas: a nos aceitar, a nos descartar, a nos trocar, a nos matar ou simplesmente a nos abandonar. No fim das contas, pouco importava; seja lá o que decidissem, a gente acabava mesmo na solidão e na loucura."
"Sentia-me contente por não estar apaixonado, por não estar
contente com o mundo. Gosto de estar em desacordo com tudo. As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes susceptíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade. Perdem o sentido de humor. Tornam-se nervosas,psicóticas, chatas. Tornam-se, mesmo, assassinas."
quarta-feira, 12 de maio de 2010
VANITAS! VANITATUM VANITAS! (Goethe, 1806)
Hurrah!
So in the world true joy I taste,
Hurrah!
Then he who would be a comrade of mine
Must rattle his glass, and in chorus combine,
Over these dregs of wine.
I placed my trust in gold and wealth,
Hurrah!
But then I lost all joy and health,
Lack-a-day!
Both here and there the money roll'd,
And when I had it here, behold,
From there had fled the gold!
I placed my trust in women next,
Hurrah!
But there in truth was sorely vex'd,
Lack-a-day!
The False another portion sought,
The True with tediousness were fraught,
The Best could not be bought.
My trust in travels then I placed,
Hurrah!
And left my native land in haste.
Lack-a-day!
But not a single thing seem'd good,
The beds were bad, and strange the food,
And I not understood.
I placed my trust in rank and fame,
Hurrah!
Another put me straight to shame,
Lack-a-day!
And as I had been prominent,
All scowl'd upon me as I went,
I found not one content.
I placed my trust in war and fight,
Hurrah!
We gain'd full many a triumph bright,
Hurrah!
Into the foeman's land we cross'd,
We put our friends to equal cost,
And there a leg I lost.
My trust is placed in nothing now,
Hurrah!
At my command the world must bow,
Hurrah!
The cup we'll to the bottom drain;
No dregs must there remain!
sexta-feira, 7 de maio de 2010
ALL I NEED - RADIOHEAD
I'm the next act waiting in the wings
I'm an animal trapped in your hot car
I am all the days that you choose to ignore
You're all I need
You're all I need
I'm in the middle of your picture
Lying in the reeds
I am a moth who just wants to share your light
I'm just an insect trying to get out of the night
I only stick with you because there are no others
You are all I need
You are all I need
I'm in the middle of your picture
Lying in the reeds
S'alright
S'all wrong
S'alright
S'alright
S'alright
